quinta-feira, 21 de junho de 2007

Vinte e um espectadores

Quando Grêmio e Boca Júniors entraram em campo ontem para decidir o título da Taça Libertadores, todas as atenções da América do Sul estavam voltadas para Porto Alegre. Estima-se que, pelo menos, três milhões de pessoas tenham acompanhado a finalíssima pela televisão. No estádio Olímpico, foram outros 46.128 torcedores gaúchos e argentinos.

Nenhum desses, porém, teve privilégio igual ao dos 21 jogadores que disputaram a partida. Eles foram verdadeiros espectadores. Admiradores de um gênio que atende pelo nome de Román. Juan Román Riquelme. O meio-campista argentino, de 28 anos, "flutuou" nos dois jogos da decisão. Fez do gramado um palco onde apresentou todo o seu espetáculo particular.

Riquelme dribla. Segura bola. Não erra passe. Chama faltas. Cai. Joga de cabeça erguida. Chuta forte. Empolga o torcedor. Faz o milionário presidente do Boca Juniors, Maurício Macri, investir dois milhões de dólares em um empréstimo de quatro meses. E leva, quase que sozinho, o Boca ao sexto título da principal competição sul-amerciana. Está muito acima de qualquer outro atleta que tenha atuado ontem. Muito mesmo.

A falha do assistente no primeiro gol argentino em La Bombonera. A expulsão de Sandro Goiano. A falha de Patrício no terceiro gol. A atuação de um Lucas vendido. Mesmo que tudo isso não tivesse acontecido, ainda assim faltaria muito para que o Grêmio de Mano Menezes superasse o Boca de Román.

Me sinto triste pela derrota e privilegiado por ter visto Riquelme ao vivo. Dos que assisti (em campo ou pela televisão), perde apenas para Romário e Zidane.

Título justo e merecido. De um gremista resignado e encantado com o futebol desse argentino com cara de índio.

Salve, Riquelme! Que venha o Brasileirão.

1 comentários:

Bruno Bertuzzi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.