O gurizinho, já de pijama, entra na sala andando devagar. Olha pro pai que assiste ao telejornal sentado no sofá. Sem chamar muita atenção, ele senta também. Bem ao lado. Espera uns dois ou três minutinhos e dispara:
- Pai, por que as pessoas trabalham tanto?
- Porque elas precisam, meu filho... – responde o pai meio desinteressado.
- E precisam por quê? – insiste o garoto.
- Ora, por quê? Porque elas têm que ganhar dinheiro...
- Sim, mas porque que elas querem sempre mais dinheiro?
- Porque com dinheiro a gente pode ter conforto, segurança, tranqüilidade, benefícios...
- Ah... É por isso... – conclui o menino ainda insatisfeito.
Passam-se dois minutos e a essa altura o pai já está com toda a atenção voltada, outra vez, para o noticiário. Mas o filho segue:
- Tá. E aquelas pessoas que roubam, pai? O que elas querem?
- Querem dinheiro também, Pedrinho.
- Ah, já sei! Pra ter conforto, segurança e aquelas coisas todas, né?
- Isso mesmo, filho. Isso mesmo.
Mais um momento de silêncio. O garotinho ainda não se deu por vencido. Ele saiu do seu quarto cheio de dúvidas na cabeça e não vai desistir enquanto não encontrar todas as respostas.
- E aquelas que matam outras pessoas, também querem dinheiro, pai?
- Sim, Pedro Henrique. Sim! – responde o pai, já perdendo a paciência – Mas qual é o motivo de tantas perguntas? Posso saber?
- É que eu achava que todo mundo queria era ser feliz. Mas todo mundo só quer dinheiro!
- Então, por isso mesmo, querem dinheiro para serem felizes. Só isso! – diz o pai com ares de quem estava encerrando por ali aquela conversa.
Pedro Henrique volta pro quarto e deita na cama. Ao contrário do que esperava, ele traz consigo ainda mais dúvidas. Não entende porque essa obsessão toda pelo dinheiro, se no fundo, o que todos buscam é a felicidade.
Pensa isso porque nunca precisou pagar um tostão sequer para rir até doer a barriga durante uma brincadeira com os amigos. Porque mesmo sem possuir carteira, se diverte todos os dias olhando pro céu e imaginando mil e um objetos com o formato das nuvens. Porque ninguém lhe cobrou nada quando o galho mais alto da árvore daquela praça virou um avião imenso na sua imaginação. Ele pensa isso porque, mesmo sem nunca ter tocado em uma nota mais alta do que cinco reais, sempre foi feliz pra burro, em quase todos os dias da sua vida. Não dava pro garoto entender aquilo tudo. As pessoas procuravam a felicidade através do dinheiro. Isso não entrava na sua cabeçinha.
O jornal terminou. O jogo de futebol que passou depois na televisão, também. Era a hora de o pai ir pra cama. Quando chegou, para sua surpresa, viu, em cima do travesseiro, um papel dobrado que dizia:
“Pai, eu acho que eles estão procurando do jeito errado. Avisa todo mundo pra mim? Boa noite. Pedro.”
Mas ele nem deu bola. Tinha que acordar cedo para trabalhar no outro dia.
- Pai, por que as pessoas trabalham tanto?
- Porque elas precisam, meu filho... – responde o pai meio desinteressado.
- E precisam por quê? – insiste o garoto.
- Ora, por quê? Porque elas têm que ganhar dinheiro...
- Sim, mas porque que elas querem sempre mais dinheiro?
- Porque com dinheiro a gente pode ter conforto, segurança, tranqüilidade, benefícios...
- Ah... É por isso... – conclui o menino ainda insatisfeito.
Passam-se dois minutos e a essa altura o pai já está com toda a atenção voltada, outra vez, para o noticiário. Mas o filho segue:
- Tá. E aquelas pessoas que roubam, pai? O que elas querem?
- Querem dinheiro também, Pedrinho.
- Ah, já sei! Pra ter conforto, segurança e aquelas coisas todas, né?
- Isso mesmo, filho. Isso mesmo.
Mais um momento de silêncio. O garotinho ainda não se deu por vencido. Ele saiu do seu quarto cheio de dúvidas na cabeça e não vai desistir enquanto não encontrar todas as respostas.
- E aquelas que matam outras pessoas, também querem dinheiro, pai?
- Sim, Pedro Henrique. Sim! – responde o pai, já perdendo a paciência – Mas qual é o motivo de tantas perguntas? Posso saber?
- É que eu achava que todo mundo queria era ser feliz. Mas todo mundo só quer dinheiro!
- Então, por isso mesmo, querem dinheiro para serem felizes. Só isso! – diz o pai com ares de quem estava encerrando por ali aquela conversa.
Pedro Henrique volta pro quarto e deita na cama. Ao contrário do que esperava, ele traz consigo ainda mais dúvidas. Não entende porque essa obsessão toda pelo dinheiro, se no fundo, o que todos buscam é a felicidade.
Pensa isso porque nunca precisou pagar um tostão sequer para rir até doer a barriga durante uma brincadeira com os amigos. Porque mesmo sem possuir carteira, se diverte todos os dias olhando pro céu e imaginando mil e um objetos com o formato das nuvens. Porque ninguém lhe cobrou nada quando o galho mais alto da árvore daquela praça virou um avião imenso na sua imaginação. Ele pensa isso porque, mesmo sem nunca ter tocado em uma nota mais alta do que cinco reais, sempre foi feliz pra burro, em quase todos os dias da sua vida. Não dava pro garoto entender aquilo tudo. As pessoas procuravam a felicidade através do dinheiro. Isso não entrava na sua cabeçinha.
O jornal terminou. O jogo de futebol que passou depois na televisão, também. Era a hora de o pai ir pra cama. Quando chegou, para sua surpresa, viu, em cima do travesseiro, um papel dobrado que dizia:
“Pai, eu acho que eles estão procurando do jeito errado. Avisa todo mundo pra mim? Boa noite. Pedro.”
Mas ele nem deu bola. Tinha que acordar cedo para trabalhar no outro dia.

1 comentários:
Desculpa,foram dois comentário porque deu algo errado nesta carroça que temos de computador e achei que não tinha ido, dai fiz outro...
É isso que dá véia se meter com esses modernismos de Internet.
Ah! Esqueci de comentar, fico feliz que tenha coisa melhor do que o término da mono no teu dia....
Seja muito FELIZ, sempre
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