Quando a gente voltou, já não estava mais lá. Foi muito estranho porque todo mundo saiu dali junto, deixamos ele sozinho por não mais que três horas. Tempo suficiente para que os outros viessem. Eles agem rápido e sabem o que fazem. Agora o mundo é o limite.
A sensação que fica é de vazio: uma estranha combinação de invasão com insegurança e medo.
Eles estão por aí. Por todas as partes. Em qualquer lugar. E a tendência é que a situação apenas piore, lamentavelmente.
Pobre do gringo.
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Vazio
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Bruno Bertuzzi
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segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Enjoôu
É tipo namoro: conforme os anos vão passando, a coisa vai ficando meio sem graça, monótona, sei lá. Parece que cai na rotina e tudo vira um filme que já se viu. A gente já não tem mais aquela mesma vontade, não encontra motivação para fazer da maneira como deveria.
Enjoa. Enche o saco. Cai na mesmice.
Assim eu vejo o casamento entre Grêmio e Mano Menezes. Uma relação de muito sucesso e alegria que, se seguir adiante, está fadada ao fracasso. É o momento de cada um ir para o seu lado, sem ressentimentos. Acabar "numa boa" é o melhor a se fazer.
Não que o Mano seja ruim ou esteja em má fase. Bem pelo contrário! Ele é, indiscutivelmente, um dos três melhores técnicos do país. Só que precisa conhecer outro vestiário grande, que não o da Azenha. O Luis Antônio merece. Foi um belo namorado e encantou a todos na relação. Fez tão bem para o Grêmio quanto o Grêmio pra ele. Palmas a Odone, o cupido.
Joguei a toalha no Brasileiro. Quero novo técnico pra levar o penta da Copa do Brasil.
O Grêmio vai pra noite. Vai caçar. Pra esqueçer a antiga paixão que enjôou do estádio Olímpico e da cor azul. Que assim seja.
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Bruno Bertuzzi
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sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Esquina
E por mais que a gente sinta falta e deseje, certas coisas nunca mais vão ser as mesmas.
Certas coisas passam uma vez só: naquela hora, naquele momento, naquele exato segundo que parece durar horas.
Aí a gente chega em casa cansado, põe a cabeça no travesseiro, fecha os olhos e faz força.
Como se aquela vontade fosse fazer o tempo voltar, pra que, pelo menos por um instante, vivêssemos tudo outra vez.
Esforço em vão. Cada cena vivida agora já faz parte do passado. De um tempo que a vida parecia tão complicada - quando, na realidade, era tão simples.
Simples como se encostar na parede do salão e ganhar um beijo. O primeiro. De muitos que ainda viriam, acompanhados de outras sensações, outras vontades e outros desejos.
Super bacana lembrar daquele ano. Daquela esquina. Uma pena que faz parte do passado.
E não adianta nem fazer força, porque aquele segundo não volta mais.
Saudade.
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Bruno Bertuzzi
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terça-feira, 23 de outubro de 2007
Esperar...
São Paulo é grande. Gigante, até. Talvez isso explique o fato de tudo (eu disse tudo mesmo!) naquele lugar ter uma fila. É impressionante! Do banheiro do aeroporto à entrada do autódromo, nada escapa. Só o que muda é o tempo de espera: no check-in foram duas horas, no locadora de carros mais uma, trinta minutos na lancheria e por aí vai.
Ainda tem a espera dentro de Interlagos. Seis horas no sábado e oito no domingo. Sem falar do atraso no vôo de volta que resultou en outras sete horas nos bancos de Guarulhos. Ou seja, de sexta a domingo o que mais eu fiz foi esperar.
Ainda bem que não foi SÓ esperar. Ainda bem que tinha a Fórmula 1 ao vivo. Ainda bem que tinha o Massa, o Kimi, o barulho, o pai, o Cuia, o Manoel, o Paulista, o Preto e o Gordo! E isso faz todo o tempo de espera valer a pena.
Pra quem tá acostumado a ver a Globo e o Galvão, a verdade da F1 é muito diferente. O ronco dos motores, o grito da torcida, a sujeira dos banheiros e a cerveja gelada debaixo de muito sol fazem do esporte algo real, palpável. O ambiente de corrida é o mesmo, seja em Tarumã, Interlagos ou Mônaco. E isso encanta os apaixonados por velocidade.
Enfim, viagem histórica. Uma experiência que não tem como deixar de ter. Pena que a Ferrari não deixou o Massa brigar pelo título. Ele foi excelente durante o ano e, como não podia deixar de ser, aqui no Brasil também, quando simplesmente entregou a vitória e o campeonato ao finlandês. Mas valeu a festa da pole no sábado. Irada!
Ano que vem quero estar lá outra vez. No dia dois de novembro. Pra ver o Massa campeão e o Nelsinho no pódio. E, é claro, pra esperar mais um bom bocado de horas na terra garoa e das filas.
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Bruno Bertuzzi
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quarta-feira, 26 de setembro de 2007
A moça que vendia livros
Ali pelas quatro e pouco da tarde, caminhando pela Rua dos Andradas, decido entrar em uma livraria. Queria ver se já estava à venda o novo do David Coimbra, chamado Jogo de Damas. Ou, então, comprar qualquer outro, sei lá. Logo de cara, me deparo com a bancada dos livros "mais vendidos" e passo a observá-los despretenciosamante.
Até que um deles me desperta a atenção: A menina que roubava livros, do autor australiano Makus Zusak. Assim que o pego nas mãos, ouço uma voz suave, vinda do meu lado esquerdo. Diferente da maioria dos vendedores, a moça não me perguntou as clássicas: "Posso te ajudar? O que tu procuras?". Ela simplesmente me disse: "Esse eu já li e é muito bom!".
Olho para o lado e vejo uma mulher jovem, que não devia ter 30 anos. Uns 28, exagerando. Não era daquelas que todo o homem pára e olha nas ruas, mas ela me pareceu extremamente bonita. Rosto pequeno, cabelo castanho encrespado, olhos claros, boca carnuda e traços delicados. Educação e simpatia se faziam inteiramente presentes naquela vendedora que passaria os próximos 20 ou 25 minutos conversando comigo. Sobre livros.
Ela se mostrou incrivelmente feliz quando eu disse já ter lido O Caçador de Pipas. Assim como eu, a moça também ficou encantada com o livro e disse que precisava comentar sobre a história com alguém. De todos os outros dos quais eu falo, ela diz conhecer. E tenta me convencer que é mera coincidência, pois não leu tantos livros na vida assim. Porém, pude perceber que, naquele momento, ela só quis ser educada. E foi.
Mas eu ainda quero comprar um livro. O do David ainda não tinha chegado. Não conseguia escolher entre três que mais me agradaram. A essas alturas, a simpática moça já havia me pedido cinco minutos para atender uma senhora que procurava por títulos de José Saramago.
Pude ver a vendedora de longe, lá no outro lado da loja. Com toda aquela beleza e simpatia que lhe eram peculiares. Penso em ir até ela pra me despedir. Não, melhor não. Posso atrapalhar. Então largo os livros, viro as costas e, sem perder mais tempo, vou embora. Com a moça e os três livros na cabeça.
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Bruno Bertuzzi
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terça-feira, 25 de setembro de 2007
Que se faça justiça
Apesar de gremista, torço pra que o Corintinhans perca o título brasileiro de 2005. A suja e obscura parceria do clube paulista com a MSI ultrapassou todos os limites. As conversas gravadas pela Polícia Federal só comprovam o que todos já sabiam: houve, sim, lavagem de dinheiro e compra de resultados.
É o Carlos Alberto falando da conta na Suiça, o Renato Duprat dizendo que a classificação no Paulistão foi comprada e, mais recentemente, o ex-presidente (renunciou o cargo essa semana) Alberto Dualib confirmando que se não fosse a anulação dos onze jogos em 2005, o Corintinhans não seria campeão. Mais: admitiu que o venceder de fato daquele campeonato foi o Internacional. Por mais que me doa, a justiça precisa ser feita e essa taça deve pegar a primeira conexão São Paulo - Porto Alegre e se instalar definitivamente na Padre Cacique.
Seria o reconhecimento de um grande técnico chamado Muricy Ramalho. Tri-campeão brasileiro: 2005. 2006 e - não há mais jeito - 2007. Ele e Mano Menezes são disparados os melhores treinadores do Brasil. Enfim, um dois será o sucessor de Dunga depois da Copa de 2010.
Que os colorados torçam. Que comemorem, se assim quiserem. Que a justiça seja feita. Que, no próximo ano, a direção do Grêmio dê uma equipe ainda mais qualificada pro Mano. Que o Píffero siga no Inter por muito tempo. Que o Carvalho nunca volte, mas tenha o seu título brasileiro conquistado no campo. Que se explodam os paulistas!
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Bruno Bertuzzi
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segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Índices, taxas e... sorvete!
O dólar interrompeu a trajetória descendente e fechou em alta nesta segunda-feira, em uma sessão tímida antes da reunião do Federal Reserve que pode cortar o juro dos Estados Unidos amanhã. "Entendemos que o fluxo esteja negativo, mas não vemos isso como sustentável, já que a tendência normal continua sendo de depreciação da taxa SELIC", comentou. O mesmo ocorre com o risco Brasil, que hoje diminuiu mais 0,34% em decorrência da forte crise na economia mundial. A expectativa é de que o fluxo de entrada de moeda seja reforçado a partir de terça-feira caso o Fed corte o juro como esperado.
Sim. Eu também não entendo nada. E ainda me botaram dentro de um salão pra ouvir o presidente do Banco Central discursar durante uma reunião-almoço. Logo eu que vinha do terminal Rui Barbosa, depois de ouvir queixa de um monte de velhinhas que não sabiam mais onde pegar o ônibus de volta pra casa. Mas do Henrique Meirelles só se ouvia "estabilidade econômica no país" e "um dado da maior relevância. O pior é que eu tinha que escrever uma matéria depois.
Uns doze jornalisatas se acotevelaram na porta do salão pra ouvir o presidente dizer nada com coisa nenhuma. Maravilha! Parecidíssimo com o boletim que eu gravei, pouco depois, na rádio.
Mas conteúdo mesmo tinha o sorvete servido na sobremesa, logo no fim da palestra. Esse sim, se fazia entender.
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Bruno Bertuzzi
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